quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O ENSINO-APRENDIZAGEM DE LITERATURA




                                                     Toda obra é antes de mais nada uma espécie, de objeto construído: e é grande o poder humanizador desta construção, enquanto construção. (Antonio Candido)



O trabalho pedagógico co literatura não é o único caminho possível para favorecer aprendizagens comprometidas com a Estética da Sensibilidade, mas é, certamente, um dos mais interessantes, na medida em que a leitura literária permite relações menos cristalizadas do sujeito com a língua e, por meio delas, com as possibilidades de conhecer de conhecer diferentes aspectos do que se convencionou chamar de realidade.

Os textos literários, como nos ensina Antonio Candido, são mundos autonômos como estrutura e significados, em que se podem experimentar diferentes emoções, apreender distintas visões de mundo e conhecimentos de modos menos sitemáticos, mas profundos. Assim, a definição de liretarura tem a ver com a interdependência destas três faces:



                                                  [...] 1- ela é uma construção de objetos autonômos como estrutura e  significado; 2- ela é uma forma de expressão, isto é, manifesta emoções e a visão de mundo dos  indivíduos e dos grupos; 3- uma forma de conhecimento, inclusive como incorporação difusa e inconsciente. [...] (Antonio Candido)



Ainda segunda Candido, é a interdependência dessas faces que confere à literatura sua força humanizadora, ma sé em uma delas que reside a possibilidade de que o texto promova a comunicação literária, isto é, seja recebido com fruição estética.


                                          [...] O efeito das produções literárias [sobre nós] é devido à atuação simultânea dos três as pectos [...]; mas esta maneira [pela qual a mensagem é construída] é o aspecto, senão mais importante, com certeza crucial, porque é o que decide se uma comunicação é literária ou não. [...] (Antonio Candido)

Se a face  mais relevante do texto literário é a sua forma, sua construção, acreditamos que o ensino de literatura deva se pautar por atividades que ajudem o aluno  a usufruir da forma textual, significando-a e assim participando da comunicação e categorias quanto aos procedimentos de construação do texto literário, mas de operacionalizar esses procedimentos em atos de leitura compreensivos e críticos, respeitando "as pistas textuais", para que a significação não caia na arbitrariedade, alheia à "intenção do texto".


SARMENTO, Leila Lauar; TUFANO, Douglas. Português: Leitura, Gramática, Produção de texto. 1ª Edição. São Paulo: Moderna, 2010.


Para apreender o impacto da leitura no sujeito é preciso lembrar-se da distinção estabelecida por Jauss entre o "efeito", que é determinado pela obra, e a "recepção", que depende do destinatário ativo e livre. Significativamente, encontra-se uma oposição parecida em Iser (1985):

Pode-se dizer que a obra literária tem dois polos: o polo artístico e o polo estético. O polo artístico refere-se ao texto produzido pelo autor, enquanto o polo estético diz respeito à concretização realizada pelo leitor. Existem sempre, portanto, duas dimensões na leitura: uma, comum a todo leitor determinada pelo texto; a outra, infinitamente variável porque depende daquilo que cada um projeta de si próprio. (VICENTE, Jouve. aleitura. São Paulo: Unesp, 2002, p.127)



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Blog desenvolvido pelas alunas da UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS do curso de Letras: Port./Ing. - 6º semestre. Orientado pela Profa. Me. Ermelinda Maura Chezzi, na disciplina de LInguagens e Novas Tecnologias II. Alunas Responsáveis: Agnes Cássia, Fernanda Oliveira, Lucilene Amorim e Mariana Azambuja - O QUARTETO LITERÁRIO.